José Saramago sofria de leucemia crônica
18/06/2010 - José Saramago sofria de leucemia crônica

Nobel de literatura morreu aos 87 anos na ilha de Lanzarote, em Portugal

José Saramago estava lutando contra uma leucemia cônica quando faleceu nesta sexta (18), em Portugal. A informação foi dada pela família do escritor em entrevista à agência espanhola "EFE".

Saramago passou a noite bem, mas se sentiu mal após o café da manhã. A morte ocorreu por volta das 12h30, no horário local (7h de Brasília), em sua casa na ilha de Lanzarote.

Em seu site oficial, uma nota comunica que José Saramago faleceu em consequência de “falha múltipla dos órgãos, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila”.

Notável

José Saramago trabalhou como jornalista até 1975, quando passou a se dedicar integralmente à literatura. Começou a chamar a atenção da crítica em 1982, aos 60 anos, quando lançou o romance “Memorial do Convento”.

Saramago criou um estilo próprio de tratar a língua portuguesa. Famoso por escrever períodos longos, alguns de seus parágrafos duram um capítulo inteiro e, muitas vezes, passam-se várias páginas até que o leitor encontre um ponto final.

Seus temas incluem realismo fantástico e também crítica política e social. Saramago criou polêmica junto à igreja com livros como “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991), em que reconta a Bíblia sob o ponto de vista de Jesus, e “Caim” (2009), seu último romance, em que aponta Deus como mentor do assassinato a Abel.

Em 1998, Saramago se tornou o primeiro escritor de língua portuguesa a ganhar o Nobel de Literatura. Sua última passagem pelo Brasil foi em novembro de 2008, quando participou do lançamento da exposição "José Saramago: A consistência dos Sonhos", no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

O escritor deixa a mulher, María del Pilar del Río Sánchez, e uma filha, Violante, de 63 anos.